quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Quando faltam palavras...

Enquanto eu chorava tentando acreditar e aceitar o inaceitável, eu pensava no que dizer p/ aquela mãe, naquele momento... E eu estava tão triste, com o coração tão dilacerado, que nenhuma palavra saía, nenhuma linha eu conseguia escrever aqui no blog... Eu só pensava: MEU DEUS, NÃO PODE! SIMPLESMENTE, NÃO PODE! NUNCA UMA MÃE PODE PERDER UM FILHO! NUNCA!

Nesse momento de introspecção total, eu li o texto incrível que a Bia escreveu no blog dela e senti desfazer o nó que eu sentia na garganta. Aquele nó de quem quer pôr p/ fora alguma coisa que simplesmente não sai!! E eu só consegui agradecê-la por desabafar por mim. Eu tava engasgada!

Partes do texto que a Bia escreveu e que, incrivelmente, pareciam ter saído da minha boca:

Pela primeira vez eu não consigo iniciar um texto. Parece que um trator passou por cima de mim.
Eu sempre fui muito vulnerável a notícias ruins, nunca gostei de noticiários... Mas depois de ser mãe, parece que todo o mal que há no mundo se triplica. Porque agora eu sou inteiramente vulnerável: eu tenho um filho.
Ter um filho no mundo é dormir com um olho aberto e outro fechado. É ter cuidado com o gás, com altura, com escadas ou com um mero joelhinho ralado. Rezar a Deus e todos os santos para os outros males permancerem bem distantes. É suplicar todas as noite uma lista enorme de coisas que não pode de jeito nenhum acontecer com o seu filho. E ter fé na misericórdia divina de que Ele vai ouvir o seu pranto de mãe. Dizem que oração e proteção de mãe é forte. Agora eu entendo: porque a força da palavra tá na alma, na súplica. Na súplica de pedir que PELO AMOR DE DEUS, QUE ISSO NUNCA ACONTEÇA... e você se pegar chorando enquanto ora, pela possibilidade mundana que nos ronda. Enquanto isso seu filho dorme no berço. E você elencando uma lista de coisas-que-nunca-acontençam-amém como quem pede pra Jesus anotar a lista de compras. Ter um filho é isso: é estar suscetível as melhores e piores coisas. As melhores coisas, pode ter certeza, ele te proporcionará. E as piores, você pede a Deus que não. Mas não é sempre assim... Quando você vê uma criança doente, você olha pra ela como se fosse sua. Ela poderia ser a sua, e você capta a dor daquela mãe. É como se todas as mães estivessem interligadas. A sua dor é a minha dor. A minha dor é a sua dor...
Qual é a pior notícia desse mundo? Qual o pior sentimento desse mundo? É o sentimento que não tem nome. Só quem o viveu sabe, mães/pais que perdem filhos se unem mundo afora. A dor os liga. Só quem viveu sabe. Quem não viveu, imagina. Imagina, sofre muito com a dor imaginada, e mesmo assim sabe: que não conseguiu mensurar um milésimo do que deve ser na realidade...

Eu não consigo imaginar a minha vida sem o meu filho. Imaginar a sua ausência, o quartinho sem ele, a casa sem ele, a minha vida sem ele, é como desejar que eu morra primeiro. E imaginar a primeira noite dessa mãe em casa no silêncio da ausência do seu Theo, é como... é como... não tem nome.


Eu mandei uma msg de cel p/ Aline, mas com certeza o que eu mais queria naquele momento era abraçá-la e colocá-la no meu colo... :o(

Vá em paz, querido Theodoro! Eu sei que vc está na luz, ao lado do Pai e olhando pelos pais maravilhosos que vc teve nessa vida, aqui na Terra.

Bi

3 comentários:

Beatriz Alquezar disse...

simplesmente sem palavras...
Não consigo dizer nada ao imaginar o Sofrimento que a Aline esta sentindo!!!

BJos

Clau disse...

Querida Bianca... realmente faltavam palavras naquele momento... todas nós mamães que acompanhamos a história do Theo antes mesmo dele nascer ficamos tão tristes, nos perguntando pq, o pq ... e parece que a Bia conseguiu escrever o que muitas sentiam mas não conseguiam!

Beijo grande

Natália disse...

Queria muito abraça-la e conforta-la, não imagino isso acontecendo comigo.
Bj